Abrindo a cabeça, todo mundo transa

Texto por Amanda Lyra e ilustração de Paloma Santos.

Sou cadeirante, tenho uma doença degenerativa, cresci aprendendo a lidar com as minhas limitações físicas. E, como um ser humano vivo, tenho sim, hormônios e tesão.

O sexo é um tabu nas mais diferentes conversas, mas em relação às pessoas com deficiências (PCD) o sexo é sempre um tabu. Então cá estou eu para te dizer: Sim, fazemos sexo e isso não é um problema.

Para começar, é preciso lembrar que, independente da condição física, o ato sexual só pode existir se houver consentimento das duas (ou mais) partes e, tendo esse consentimento, não há limites para experimentar novas e prazerosas formas de se chegar ao orgasmo. Ainda assim, a maior indagação é “Como vocês fazem para transar?”. As pessoas têm necessidade de imaginar como seria, como fariam para ir para cama com alguém se não conseguissem ficar de pé ou ter força muscular para se movimentar durante uma relação sexual.

A curiosidade também está ligada ao pensamento de que, dependendo da situação, pessoas com deficiências podem ser vistas como figuras infantilizadas, que precisam de cuidados extremos e não são capazes de dar prazer ao(à) parceiro(a). Isso é uma besteira de marca maior. Quem nunca teve uma relação que não foi como o esperado? Que a química não fluiu, que a vibe estava estranha? Isso acontece com qualquer pessoa e pode acontecer com alguém que tem uma deficiência.

Por outro lado, também há situações nas quais as pessoas com deficiência viram objeto de fetiche e, nesse caso, como disse ali em cima, o que vale é o consentimento. Quem se relaciona com PCD geralmente tem uma cabeça diferente, mais aberta, e entende que a adaptação é lei, descobrindo novas formas e jeitos de ambos(as) sentirem tesão, prazer e terem um orgasmo memorável.

Pense que no livro Kama Sutra existem 529 posições sexuais. QUINHENTAS E VINTE E NOVE! Acredito que as pessoas que pensam que sexo com PCD é algo não satisfatório geralmente se limitam à duas ou três posições com seus(suas) parceiros(as) sem deficiências. Então, é hora de abrir a cabeça e pensar que existe uma infinidade de formas de se relacionar fisicamente, dar e sentir prazer com alguém, incluindo, ou não, a penetração.

Para finalizar, o sexo faz bem para a pele, para o corpo e para a alma, se for entre pessoas que querem fazer, independente de uma deficiência. Relaxa que para tudo tem um jeito.

Transe mais e julgue menos.

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peita. me

Amanda Lyra é cantora, compositora, produtora e apresentadora, cadeirante e idealizadora do Projeto Solyra. Siga ela no FACEBOOK e INSTAGRAM.

Paloma Santos é ilustradora, cadeirante e feminista. "No meu trabalho como ilustradora tento representar a diversidade feminina". Siga ela no INSTAGRAM e curta a página no FACEBOOK.

 

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