LUTAMOS PORQUE É PRECISO por Amanda Lyra

LUTAMOS PORQUE É PRECISO por Amanda Lyra

LUTAMOS PORQUE É PRECISO por Amanda Lyra

Às vezes cansa ser porta-voz de uma causa. Eu sei, eu sei... não estou tirando o meu da reta, não vou deixar de levantar as bandeiras que carrego porque se, nós que temos o lugar de fala não nos manifestarmos - o mundo não muda.


O que quero dizer é que batemos tanto em tantas teclas, são tantos murros em pontas de faca que às vezes nós também cansamos. Mas já parou para pensar que falamos e lutamos porque PRECISAMOS?


Há pessoas que dizem que o tal do “mimimi” é o mal do mundo moderno, eu discordo. Só menospreza a luta alheia quem não sofre na pele suas dores. Só quem está acomodado confortavelmente em seu corpo e estrutura social, consegue passar batido ignorando tudo e todos que estão à margem. E são justamente essas pessoas que se assustam com pautas sobre aceitação, sobre alteridade, sobre justiça e mudanças de comportamento.

O mal do mundo é a hipocrisia de só fazer alguma coisa quando a água bate na sua própria bunda. Eu também canso às vezes, mas a sede por um mundo melhor não me permite mudar o foco.


É um caminho sem volta quando percebe-se que é possível levantar muitas bandeiras, ajudar em outras causas - mesmo que não façam parte da sua realidade. Que você alivia a carga e contribui em uma luta a partir do momento que ouve as dores de grupos que não são os seus, posiciona-se e conscientiza as pessoas a sua volta sobre eles.


Pessoas pretas também cansam de falar sobre racismo, pessoas com deficiências cansam de falar sobre capacitismo, pessoas trans cansam de falar sobre transfobia, pessoas gordas cansam de falar sobre a gordofobia, homossexuais cansam de falar sobre homofobia, mulheres sobre feminismo e por aí vai. Nós cansamos porque é desgastante explicar o tempo todo o que deveria ser óbvio, o que deveria ser justo mas não é. E em todas essas falas, a premissa é pela equidade - então perceba que ela é necessária e contínua.


Militamos sobre nossas causas para que não tenhamos que ficar revivendo nossas dores eternamente, para que as gerações futuras tenham uma base estrutural melhor do que nós tivemos e tenham bons exemplos de representatividade.


E se você acha que é só em passeatas e manifestações que as lutas acontecem, quero falar da música que eu faço, porque nela também há luta; quero falar dos desenhos da Paloma que ilustram os meus textos, porque neles também há luta; quero falar dos produtos da Peita, porque neles também há luta; quero falar de um almoço em família no domingo, de um jantar entre amigos, de perfis nas redes sociais, porque lá também há luta.


E enquanto continuarmos evoluindo como pessoas, como sociedade, como humanidade, sempre haverá bons motivos pra lutar.

 

 

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Amanda Lyra é cantora, compositora, produtora e apresentadora, cadeirante e idealizadora do Projeto Solyra. Siga ela no FACEBOOK e INSTAGRAM.

 

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peita.me
@putapeita

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