Malu, de 8 anos, PEITA vereador que mudou o nome do Cmei Arco-Íris

Sabe aquelas coisas que vale a pena viver para ver? Queremos que você conheça a Maria Luíza Menegon, de 8 anos. Essa garota foi à Câmara dos Vereadores de Palmas, no Tocantins, expor sua indignação quanto a mudança de nome do Cmei Arco-Íris para Cmei Romilda Budke Guarda. O vereador Filipe Martins, autor da proposta acha que a palavra arco-íris faz “apologia ao homossexualismo”. Mas ele diz não ser preconceituoso.

Nossa musa inspiradora foi até seu vizinho, o vereador Júnior Gero, perguntar o por que da troca e deixou bem claro que arco-íris, para ela, é símbolo de pureza. Junior, um queridão, a convidou para falar o que pensava na Câmara.

Na terça-feira, dia 7, Malu fez seu discurso vestindo a Lute Como Uma Garota. Foi a primeira vez que ela usou sua camiseta. Quem nos contou isso foi a sua mãe, a jornalista Niceia Menegon. Parabéns Nic, presenciar esse momento deve ter sido emocionante. Nossos olhos se enchem de lágrimas só de imaginar o orgulho que você sentiu vendo a filha defendendo o amor.


Pega o lencinho e leia na íntegra o discurso da Malu:

“Bom dia a todos.

Numa manhã linda e ensolarada, um elefantinho cinzento e muito curioso acordou com uma grande dúvida: qual seria a cor do amor? Resolveu, então, sair pela floresta para encontrar a resposta.

Fez a pergunta a todos os animais que encontrava pelo caminho: “Qual é a cor do amor?”.

“Qual é a cor do amor?” perguntava ele.

Os animais da floresta tentaram ajudar o elefantinho cinzento, cada um falava uma cor... o macaco falou que a cor do amor DELE era verde; o tigre disse que se o céu era azul, então a cor do amor talvez fosse amarelo; já o leão afirmou que o sol era amarelo e quente, então o amor poderia ser vermelho.

- Será que a cor do amor é branco, dona Zebra?

- Não! O amor é tão belo que só pode ser cor de rosa! disse a dona zebra.

Será que é amarelo? Será que é azul? Será que é verde, vermelho ou laranja?

Depois de perguntar a todos os animais que encontrou pelo caminho, o dia já estava quase acabando e o elefantinho ainda se sentia insatisfeito com as respostas...

Mas tinha alguém que ele ainda não havia perguntado, a sua mãe.

- Mamãe, será que alguém sabe qual é a cor do amor? ...ninguém soube me dizer a cor do amor.

A mãe, com toda a delicadeza e compreensão disse:

- Qual é a cor do amor? Eu lhe digo, filhote: é tão escuro como a noite, tão brilhante como o sol. Pense numa cor e ali está o amor! O amor é toda cor, é tudo em todo lugar. São todas as cores à nossa volta, porque nada mais importa quando você encontrou o amor.

E o elefantinho cinzento ficou muito contente e satisfeito por ter encontrado a resposta da sua grande dúvida.

Esta é a história do livro “Qual é a cor do amor?” de uma autora da Escócia, Linda Strachan. Eu ganhei quando tinha 4 anos de idade.

É a partir desta história que venho até aqui para pedir mais tolerância, mais respeito e mais comprometimento com as pessoas, com as crianças e com a sociedade.

Eu ainda não entendo muito bem como funcionam os poderes públicos. Mas sei que um político tem o dever de trabalhar e construir uma sociedade cada dia melhor, sem corrupção, sem preconceito, sem desigualdade, sem miséria e, principalmente, sem colocar seus interesses pessoais à frente do interesse de todos.

Quando soube que um vereador conseguiu mudar o nome de uma creche porque, para ele, o nome “arco-íris” seria uma má influência para as crianças, me senti muito triste e incapaz.

Triste por perceber que alguns adultos esquecem que um dia já foram criança.
Incapaz de entender o que teria um arco-íris de tão mal e bizarro para não ser digno de ter uma creche, em Palmas, com esse nome.
Incapaz de entender porque tantas pessoas concordaram em mudar o nome de arco-íris para o nome de uma pessoa que poucos conhecem.

Senhores Vereadores e Vereadoras, nenhuma criança nasce preconceituosa. São os adultos que ensinam isso. E são os adultos que podem ensinar também o respeito, a tolerância e o amor.

Eu, como criança, digo:

O preconceito não me representa.

O desrespeito não me representa.

A intolerância não me representa.

O ódio não me representa.

Somos diferentes uns dos outros, mas temos direito à igualdade. Homens, mulheres, negros, ou gays, somos todos seres humanos e devemos respeitar e acolher a condição, o espaço e a opinião de cada um.

Todos nós temos a missão de contribuir para um mundo com mais respeito, tolerância, paz e o amor entre as pessoas. Assim como nossos pais, os governantes devem dar o exemplo para que isso aconteça.

Obrigada vereador Júnior Geo pelo convite, pela oportunidade de estar aqui hoje representando as crianças que, muitas vezes não são ouvidas.

Então... que a natureza nos ofereça quantos arco-íris forem necessários para aprendermos a conviver em equilíbrio e harmonia, entre os homens e a natureza.

Que as cores continuem colorindo o céu, o mundo e a vida das pessoas. Que as cores NÃO sejam motivo para preconceito. Que o respeito e a tolerância sejam sempre maiores, para um futuro melhor para todos nós.

Meu nome é Maria Luiza, tenho 8 anos, estudo o 3º ano do ensino fundamental.
Obrigada.”

1 comentário

Maria Helena

S E N S A C I O N A L! Que os elefantes cinzas se propaguem por toda a terra.
Mais amor por favor! Sempre.

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