Mônica Benício conta como é lutar como uma garota

É com muito orgulho e resistência que a PEITA anuncia seu segundo minidoc “O que é lutar como uma garota?”. A arquiteta, Mônica Benício deu seu depoimento, não como viúva da Marielle Franco, mas como mulher, favelada e lésbica. Esse é um teaser do documentário que a marca-protesto lançará futuramente. Nas palavras da Mônica, “ser sapatão (na atual conjuntura brasileira) é um ato político”. A entrevista foi realizada em sua casa no Rio de Janeiro.

A idealizadora da PEITA, Karina Gallon conta que antes de pensar em conversar com a Mônica, fez contato com Anielle Franco, enviando apenas para família camisetas com a estampa: LUTE COMO MARIELLE FRANCO. Posteriormente o pessoal do gabinete da deputada, também solicitou as peitas. “Anielle entrou em contato comigo para agradecer. Eu perguntei sobre a possibilidade de fazermos uma entrevista, ela topou e surgiu a oportunidade de ir ao Rio de Janeiro no mês seguinte. Simples assim, sem forçação de barra”, conta Karina. Não estava nos planos falar com a Mônica nesse momento, mesmo a possibilidade tendo sido sondada.

A equipe da PEITA, composta pela psicóloga Larissa Tomass, a cinegrafista e produtora Leticiah Futata e a Karina, aqui também como produtora, foram recebidas na casa da Mônica em um sábado após o almoço. “Ela não conhecia a PEITA até a semana do encontro, quando buscou sobre nós na internet e gostou do projeto. Foi aí que resolveu falar com a gente. Também porque a Anielle estava empolgada”, explica Karina. Anielle e Mônica foram gravadas juntas e separadas para o documentário da PEITA, onde falaram sobre feminismo, mulher negra e favela.

Quem realiza as entrevistas é a Lari Tomass, baseada na sua experiência em vivências e atendimento no consultório. “Fui para ouvir e me concentrar no que ela estava falando. Minha preocupação era acolher, abordá-la com carinho e respeito, sem cutucar ou explorar. O objetivo era conhecer a Mônica, saber quem é ela, da onde vem a sua militância e ela é muito incrível”, comenta Lari. A ideia não era fazer algo jornalístico e Karina acredita que por isso mesmo elas foram tão bem acolhidas. “Foi tudo muito pessoal. Chegamos em um momento super dolorido. Ao contrário das pessoas que estão próximas da Mônica, que também sentem a falta da Marielle, nós aparecemos na sua porta como três mulheres que sentem empatia pela sua dor, levando um ar novo pra ela, mostrando que pode ela contar com a gente, como mulheres, militantes e que estamos juntas na guerrilha”, ressalta Karina.

Além da entrevista e janta oferecida com carinho, a equipe da PEITA teve a oportunidade de acompanhar a Mônica até um estúdio de tatuagem, onde ela gravou no corpo a frase: eu sou porque nós somos, projeto da tatuadora Tais Thorpe. No caminho, deram carona para uma amiga que se mostrou surpresa ao ver a arquiteta com uma PEITA. “Ela nos contou que fazia 75 dias a Mônica só usava camisetas com a mesma arte: quem matou Marielle Franco. Também disse que ela estava mais alegre, comunicativa e disposta neste dia. Não sabíamos o quanto estávamos entrando no íntimo dela e isso impactou bastante a gente”, explica Karina.

A cinegrafista e produtora, Leticiah Futata ficou impressionada com a entrega da entrevistada. “Eu pensava: que momento estamos registrando aqui. Me realizei na hora. As mulheres querem falar e nós temos a oportunidade de jogar isso no mundo de uma maneira sincera e íntima. As imagens de cobertura não foram encenadas, é tudo espontâneo.” conta Futata. Lari Tomass complementa que “estamos abrindo espaços de fala, dando visibilidade às mulheres, discutindo nosso papel na sociedade, contando histórias. Fomos silenciadas por anos e não seremos mais. Eu queria poder entrevistar todas as mulheres do mundo”.

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