Ninguém solta a mão de ninguém

Lucro das vendas será revertido para uma casa-abrigo que acolhe mulheres que sofreram violências doméstica.


Quem participa de coletivos, movimentos ou grupos de mulheres, sente a potência que os encontros femininos proporcionam. Mais do que articulações sociais, eles geram redes de apoio poderosas. A PEITA valoriza a união entre manas e lança a frase “Ninguém Solta a Mão de Ninguém”, que ganhou repercussão nacional após a tatuadora Thereza Nardelli disparar uma arte sua no Instagram, no dia do fatídico segundo turno das eleições de 2018. O lucro das camisetas vendidas através do site da PEITA será doado para a Casa de Referência Tina Martins, casa-abrigo que apoia e acolhe mulheres que fugiram de seus lares para salvarem a si e aos filhos de situações de violência doméstica.

O contato entre PEITA-Thereza-Casa Tina Martins começou no dia 29 de outubro, quando a marca protesto publicou a arte da tatuadora no story e começou a receber muitas mensagens de pessoas interessadas em adquirir a frase. “Eu estava muito abalada com o resultado das eleições e quando vi a ilustração, ela me confortou instantaneamente. Isso aconteceu com todas as manas que assistiam a apuração comigo. No outro dia só dava ela no meu feed, aí eu senti a potência da frase”, comenta a presidenta da PEITA, Karina Gallon.

A equipe de comunicação foi atrás da tatuadora propor uma parceria e Thereza sugeriu que o lucro da camiseta fosse doado para uma instituição social focada em ajudar mulheres: a Casa de Resistência Tina Martins, que fica em em Belo Horizonte, onde ela mora. “Conheço a iniciativa desde que era uma ocupação em um prédio abandonado no centro de BH. Atualmente, não participo ativamente da Casa mas admiro muito o projeto. Acho que o melhor que pode acontecer é que os benefícios da viralização do desenho possam ir para quem está sendo e será diretamente mais atingido pelos malefícios da presidência misógina de Bolsonaro, que são as mulheres pobres e em situação de vulnerabilidade e violência”, ressalta a tatuadora.

Cerca de 70% das frases vendidas pela marca protesto são parcerias, ou seja, tem parte da produção ou o lucro doado para incentivar causas e instituições sociais que trabalham com pessoas em situação de vulnerabilidade.

Ninguém solta a mão de ninguém
A tatuadora ouviu a frase pela primeira vez da boca da sua mãe, Lêda Maria, em momento difícil que ambas passaram juntas, sem saber que essa frase era usada na época da Ditadura Militar Brasileira. O jornal GGN divulgou que ela era um “grito de pavor” nos barracos improvisados do curso de ciências sociais da USP.

Os agentes torturadores cortavam a luz e invadiam o local para raptar estudantes que integravam movimentos sociais (ou que eles achavam que sabia de algo). Por isso as pessoas seguravam umas nas mãos das outras, alguém se agarrava em um pilar e quando voltava a energia, elas realizavam uma chamada para saber se todos estavam ali.

Casa de Referência da Mulher Tina Martins


No dia 8 de março de 2016 (PEITA nasceu exatamente um ano depois), o Movimento de Mulheres Olga Benario de Minas Gerais e o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas realizou a primeira ocupação de mulheres na cidade de Belo Horizonte: Ocupação Tina Martins. Espertirina Martins foi uma operária que participou da greve dos trabalhadores realizada no ano de 1917, em Porto Alegre, e foi determinante no confronto pelo seu buquê-bomba.

A Casa funciona como um espaço de acolhida emergencial, acompanhamento e orientação às mulheres em situação de violência (violência doméstica e familiar contra a mulher - sexual, moral, física, psicológica, assédio sexual). Elas oferecem serviço complementar aos já oferecidos pelos Municípios que possuem alguma política de enfrentamento, e apesar de não ser um órgão estatal, é a única instituição que acolhe mulheres em nível estadual.

No começo da ocupação, não foi quantificado o atendimento. Diretamente, a casa resistência recebeu em média de 350 mulheres (entre acolhimento e abrigamento) e passaram por lá cerca de 12 mil pessoas e mais de 150 entidades e instituições.

1 comentário

Ellen

Acabei de conhecer o site, as roupas e o movimento que vocês estão fazendo.
O pouco que já li, pesquisei e olhei. Adorei e gostaria de parabeniza-las pela iniciativa e pelo projeto.
Mulheres passam por diversas situações constrangedoras todos os dias, e depois de ver tantas coisas surreais acontecendo, o desrespeito com o outro e principalmente e infelizmente tb de mulheres com as próprias mulheres, me da uma esperança e felicidade ver ações como essas e terem amigas mulheres/homens ao meu lado que lutam por esses direitos.

Estão mais do que de parabéns e além de usar, divulgar e comprar, adoraria fazer parte de alguma forma.
Orgulho de vocês. Real.

Se precisarem de ajuda, uma mão amiga, movimentos entre outros, com certeza podem contar comigo e acredito que com diversas outras mulheres.

- Ninguém solta a mão de ninguém <3

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