O ISOLAMENTO PCD por Amanda Lyra

Estamos em tempos difíceis! Com a pandemia mundial do novo coronavírus, o isolamento social se faz necessário, e como é ruim não poder sair, não é? Não poder ir a festas, dar passeios, ir aos bares preferidos, praticar esportes, correr na areia da praia, ver um belo pôr-do-sol do alto de uma montanha... A cada dia que passa, aumenta o número de pessoas relatando crises de ansiedade, depressão e tantas outras tormentas mentais. 


Com esse contexto, quero aproveitar para fazer um paralelo com a realidade das pessoas com deficiências. Por anos fomos enclausuradas, apontadas como incapazes e limitadas a viver em um isolamento constante, seja por conta da falta de informação da família, que muitas vezes não estimulava a evolução social de um(a) parente com deficiência pelo quadro complicado de uma doença ou condição de saúde, ou pela falta de acessibilidade que tantas vezes limitava nosso direito de ir e vir. 


Foram anos de cárcere residencial, e essa ainda é a realidade de muitas pessoas que têm deficiências mais severas.

O isolamento por longos períodos é um universo comum às pessoas com deficiências, visto que complicações, cirurgias e tratamentos são recorrentes e necessários.

 

Quem cresceu vivendo assim, geralmente, consegue enfrentar de uma forma diferente e (um pouco) mais leve o momento que estamos passando, vide texto “Não é o fim do mundo, é um mundo novo”, nem por isso o isolamento social é menos traumático. 


Depois de tanta luta, quando finalmente damos as caras por aí, entramos felizes no mercado de trabalho, gastamos nosso próprio dinheiro, fazemos passeios com a família e amigos(as), depois de ganharmos várias batalhas para inclusão e melhora na infraestrutura urbana, vemos uma pandemia chegar e nos trancar mais uma vez em casa e, muitas vezes, com o agravante de fazermos parte do grupo de risco.


Mesmo com as dificuldades gerais da nação, nós alimentamos nossos sonhos na medida que entendemos nosso lugar de fala e nossas prioridades como seres humanos que não querem apenas sobreviver, e seguimos, mesmo que virtualmente, lutando e, mais do que nunca, mostrando que nossas capacidades vão muito além das nossas limitações. 


Por outro lado, muitas pessoas estão sentindo na pele, pela primeira vez, a limitação que para nós é cotidiana, e estão entendendo o poder da adaptação de que tanto falamos. Seja através da arte que criamos, ou do home office que seguimos fazendo, o mundo está vendo que dá para fazer diferente. 


Para as pessoas com deficiência, esse cenário traz que ainda há muito para ser feito, incluindo o ajuste de acessibilidade em redes e plataformas digitais, serviços e produtos especializados e até o reconhecimento de talentos muitas vezes encobertos pelo preconceito. Porém, o importante é pensar que sempre há um caminho, só é preciso boa vontade e empatia para entender que estamos sujeitos à necessidade de nos adaptar às realidades, com deficiências ou não.


Sigamos fortes e resilientes! Tudo isso vai passar e, quem sabe, sairemos dessa situação mais conscientes de que o mundo está cheio de possibilidades para serem exploradas.

 

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Amanda Lyra é cantora, compositora, produtora e apresentadora, cadeirante e idealizadora do Projeto Solyra. Siga ela no FACEBOOK e INSTAGRAM.

Paloma Santos é ilustradora, cadeirante e feminista. "No meu trabalho como ilustradora tento representar a diversidade feminina". Siga ela no INSTAGRAM e curta a página no FACEBOOK.

 

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