Olha como ela é bonitinha | por Amanda Lyra

Sempre existiu uma superproteção envolvendo as pessoas com deficiências e é muito legal saber que existe gente que se preocupa com nosso bem estar.  Porém, as pessoas se acostumaram a tomar atitudes que, mesmo sem querer, acabam perpetuando um comportamento que inferioriza a figura da mulher cadeirante.

Vejo que muitas pessoas se espantam e se encantam com o fato de eu, mulher, cadeirante, com atrofia muscular, sair com roupas estilosas, com uma maquiagem bem feita e às vezes extravagante. O que elas não sabem, afinal, é que além de PCD, sou artista. Escuto frases do tipo “Como ela é bonita. Se arruma toda, usa maquiagem”, ditas em tom de extrema surpresa. Muitas vezes solto um sorriso largo e uma prece para que a luz da sapiência recaia sobre tal pessoa. 

A típica batidinha na cabeça seguida de comentários assim não é o tipo de reconhecimento que buscamos. Aceitamos elogios, sim, quem não gosta de ser elogiada? No entanto, é importante lembrar que nós, cadeirantes ou não, com deficiências ou não, somos pessoas e respondemos por nossos atos, por nossas escolhas e temos total liberdade para nos vestirmos do jeito que mais agrade quando olhamos no espelho.

Através de nossas vestimentas, acessórios, maquiagem, expressamos nossos gostos, preferências, nossa ideologia, nosso modo de vida, nossas lutas, nossos sonhos. Isso não é algo que deveria chocar, muito pelo contrário, é algo tão natural que me faz pensar que as pessoas acreditam que uma pessoa com deficiência vive enclausurada em suas limitações, que ser cadeirante é sinônimo de uma vida bucólica e sem perspectiva. 

Falamos tanto em amor próprio, em autonomia, em expressão e, mesmo assim, a sociedade ainda se surpreende com uma mulher que convive com a sua limitação de uma forma amigável, que gosta da sua própria companhia, que aceita seu corpo e não se prende à padrões. Não somos eternamente crianças. Por tanto, não há motivos para infantilizar ninguém por ter uma condição física diferente. A maquiagem é livre, se vestir como bem entender, se sentir sensual, como qualquer mulher adulta.

Para complementar, quero frisar a importância de se dirigir diretamente à pessoa citada, caso ela esteja junto. Esta é uma regra muito antiga de etiqueta, que deveria ser utilizada sempre, mas muitos ainda insistem em se direcionar à quem acompanha a pessoa com deficiência, como se esta não fosse capaz de compreender. Vamos disseminar um mundo com menos preconceito e com mais respeito! 

E, para finalizar, digo com humildade: meu amor, não somos bonitinhas! Somos lindas, maravilhosas e plenas. Somos mulheres.

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Amanda Lyra - Cantora, compositora, produtora e apresentadora, cadeirante e idealizadora do Projeto Solyra. Siga ela no FACEBOOK e INSTAGRAM.

Paloma Santos é ilustradora, cadeirante e feminista. "No meu trabalho como ilustradora tento representar a diversidade feminina". Siga ela no INSTAGRAM e curta a página no FACEBOOK.

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