PEITA quer parar o Brasil na Copa do Mundo

Jogos da seleção brasileira serão transmitidos ao vivo em várias cidades do país.

2019 é ano de Copa do Mundo e a PEITA quer fazer o país parar e assistir aos jogos da seleção brasileira. Fomentando a paixão nacional, a marca-protesto divulga hoje, 7, a campanha “Jogue Como Uma Garota”, que consiste na realização de eventos com transmissão ao vivo das partidas do Brasil e lança uma edição especial desta camiseta, nas cores azul e amarela, uma homenagem ao primeiro time de futebol feminino do país, o Esporte Clube Radar.

O lucro desta peita será revertido para o financiamento das ações organizadas por mulheres de coletivos ou que se reúnem para jogar bola regularmente e que serão as embaixadoras da PEITA. A missão é escolher um local para ser Bar Oficial da Copa do Mundo em sua cidade e que abrace a ideia de incentivar as jogadoras brasileiras rumo ao primeiro título do Brasil neste mundial. Nossa seleção é Heptacampeã da Copa América, mas ainda não trouxe a taça da Copa do Mundo pra casa.

“Acho que em qualquer esporte o torcedor faz a diferença. Sempre precisamos de apoio fora de campo. Às vezes, quando estamos perdendo e o torcedor começa a cantar e a apoiar, nossa reação muda. Parece que temos mais força pra buscar o resultado”, comenta Raquel Fernandez, meia da seleção brasileira, sobre a campanha organizada pela PEITA.

EMBAIXADORAS
A primeira parceira a abraçar a ideia foi a Nayara Perona, organizadora da Joga Miga, uma plataforma online que reúne os contatos de times de mulheres que jogam bola no Brasil. Nayara fez esse primeiro contato as interessadas em encabeçar o evento em sua cidade. “Decidi participar dessa ação com a Peita porque acredito que futebol é futebol e é um esporte que carrega consigo uma paixão ímpar. Sou muito fanática por futebol - em todos seus desdobramentos - e o futebol feminino precisa ser mais visível, precisa ser conhecido e sonho com o dia que muitos torcedores vibrem com a modalidade com a mesma intensidade. Ali reconheço o futebol que aprendi a amar, onde ainda reside o respeito a camisa, a raça em campo e a dedicação pelo amor ao esporte. É um momento histórico para o futebol feminino mundial. Poder acompanhar a seleção em TV aberta e viver o clima de Copa do Mundo é incrível. E, além de tudo, trazer mais pessoas para conhecer, acompanhar e torcer conosco”.

“Jogar como uma garota é ocupar o nosso espaço em uma modalidade que é completamente dominada e conduzida por homens, que por decisão própria presumem que esse não é o nosso lugar. Essa, bem mais que uma frase de efeito, é uma frase de enfrentamento. Ela é de cada pessoa que se identifica e a ressignifica dentro do seu contexto de vida”, explica a presidenta da PEITA, Karina Gallon.

A organização do evento é independente e livre, a PEITA pede que o local onde serão as transmissões sejam geridos por mulheres, para fortalecer outras mulheres, mas a campanha deve ser abraçada por todos os gêneros. Todo o material gráfico e digital será produzido pela equipe de criação da marca-protesto. Ela também dará suporte no que as manas precisarem.

Cada embaixadora receberá um kit copa contendo:
- manifesto Jogue Como Uma Garota;
- pôster da campanha Jogue Como Uma Garota;
- pôster com a chave/tabela da Copa do Mundo 2019 para ficar exposto no bar oficial;
- tabelas de bolso dos jogos;
- bolachas de copo Jogue Como Uma Garota/ Beba Como Uma Garota;
- adesivos jogue como uma garota;
- kit bolão da copa: camiseta + meião + mimos, para quem acertar o resultado da final;
- kit bolão nos jogos do brasil: pôster + adesivo + chaveiro + botton, para quem acertar o placar;
- 20 lambe-lambes com o endereço do bar oficial e horários dos jogos para intervenção urbana na cidade da embaixadora;
- receita do drink Marta criada pelo Coletivo Cássia.

Algumas cidades já tem suas embaixadoras: Curitiba, São Paulo, Sorocaba, Ponta Grossa, Foz do Iguaçu, Catalão/GO, Belo Horizonte, Belém, Ribeirão Preto. Quem tiver interesse em ser um dos bares oficiais da PEITA na Copa do Mundo, é só entrar em contato através do email: soybruxa@peita.me .

jogue como uma garota

NÃO TEM DESCULPA
Essa é a primeira vez na história do futebol feminino que um canal aberto de televisão irá veicular os jogos da nossa seleção em tempo real. Se não pode ir até um dos bares oficiais da Copa do Mundo 2019, é só organizar o seu evento em casa.

A meia, Raquel Fernandez fala que agora as torcedoras e torcedores poderão comemorar as vitórias junto com as jogadoras. “Temos uma responsabilidade ainda maior de representar nosso país e o futebol feminino, porque se a gente fizer um bom trabalho e mostrar um belo futebol, tenho certeza que não só a Globo vai transmitir outros campeonatos, como também outras emissoras abrirão as portas para o futebol feminino no Brasil”.

A Copa do Mundo começa dia 7 de junho, às 16h no horário de Brasília. A seleção brasileira estreia no domingo, 9, às 10h30 contra a Jamaica, dia 13 (quinta-feira) joga com a Austrália às 13h e fecha a primeira fase contra a Itália, dia 18 (terça-feira), às 16h.

MANIFESTO JOGUE COMO UMA GAROTA
Ser garota é crescer no embate com os estereótipos machistas, impostos por uma sociedade que ainda levará centenas de anos para respeitar a diversidade de seres humanos que existe. Jogar como uma garota é driblar essas convenções para provar que é capaz de qualquer coisa, como qualquer outra pessoa. É ser eleita seis vezes a melhor jogadora do mundo pela Fifa, liderando ranking (deixando para trás Cristiano Ronaldo e Messi) e, ainda assim, ter a sua habilidade questionada.

Ser garota é ser proibida de jogar futebol durante 38 anos (1941 a 1979), porque os homens assim quiseram, subestimando os nossos corpos, capacidades e desejos. Jogar como uma garota é fazer parte do primeiro time de futebol feminino do Brasil, em 1982, o Radar Futebol Clube, e seguir em 1986 para o primeiro mundial da história do seu país (sem ganhar um puto $), usando o uniforme velho da seleção brasileira masculina. É ter que ouvir de macho da Federação Paulista de Futebol, em pleno século XXI - mais precisamente em 2001 -, que para participar do campeonato "as mulheres precisam apresentar signos de feminilidade”, como cabelo comprido, corpo delicado e com curvas. É ter uniformes oficiais mais curtos e justos que os masculinos e ser obrigada a usar, mesmo contra vontade.

Ser garota é assistir os homens ganhando mais que as mulheres em todos os lugares. Jogar como uma garota é ver homens recebendo US$ 400 milhões de premiação na Copa do Mundo, enquanto você, ao lado de suas companheiras, briga para dobrar o valor do mesmo campeonato para US$ 30 milhões (sim, atualmente, o feminino paga só US$ 15 milhões). É estar, em 2019, no primeiro time feminino da história das Copas femininas que receberá por isso, porque, até então, as jogadoras vestiam a camiseta canarinho de graça.

Lutar como uma garota é resistir todos os dias à opressão da sociedade machista. É resistir para sobreviver em um sistema patriarcal que projeta como a vida da garota deve ser desde o primeiro dia de vida. Ser garota é sair da maternidade com brinco da orelha e ser afastada de toda e qualquer possibilidade de ser uma campeã do mundo, quanto mais, do futebol.

Assim, quando afirmamos que vamos “jogar como uma garota”, falamos em ocupar o nosso espaço em uma modalidade que é completamente dominada e conduzida por homens, que presumem que esse não é o nosso lugar. Essa, bem mais que uma frase de efeito, é uma frase de enfrentamento. Ela é de cada pessoa que se identifica e está aberta para ser ressignificada dentro do seu contexto de vida.

Nossa luta é contra um sistema sexista, imperialista, racista e heteronormativo que subjuga a todas as mulheres, o tempo todo, em todas as áreas.

Em junho, devemos torcer pelas mulheres da Seleção Brasileira como jamais torcemos em uma Copa do Mundo. Porque não foi fácil chegar até aqui.

SOBRE PEITA
A Peita nasceu dia 8 de março de 2017 com a frase “Lute como uma garota” invadindo as ruas de Curitiba nas manifestações do Dia Internacional da Mulher - Marcha 8M. O intuito da marca-protesto é oferecer ferramentas de enfrentamento para mulheres lutarem contra as opressões diárias. A Peita cumpre com a missão de trazer os dizeres polêmicos do contexto das manifestações para os dias comuns, gerando a discussão do movimento feminista em uma abordagem diferente. A proposta é causar incômodo mesmo. É fazer com que opressores sintam-se desconfortáveis e produzir o diálogo sobre assuntos ainda espinhosos, através de um canal de comunicação não-verbal num primeiro momento. Cada pessoa que veste uma PEITA a ressignifica em seu contexto de luta.

O layout criado pela designer curitibana Karina Gallon transmite a mensagem de forma simples e direta, usando um produto comum e acessível. Hoje a PEITA tem 30 dizerem polêmicos, das quais 70% são parcerias com movimentos, instituições e projetos sociais, mulheres que estão na militância e/ou empresas que se comprometem com o combate às opressões. Nestes casos, o lucro ou parte da produção é doada para financiar causas.

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www.peita.me
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6 comentários

Wanessa

Todo manifesto feito por vocês é necessário, sempre me faz refletir. Obrigada. E qual o bar que vai ser em belém? Bjs

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