Playlist especial Dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha por Janine Mathias

Quem é Janine Mathias?
Cantora e compositora geminiana, apaixonada pela missão de ser voz.

Desde quando você compõe?
Desde pequena, me lembro de gostar de escrever poesia desde os 10, 11 anos, só que eu não tinha dimensão que eram composições. Se houvesse guardado tudo já teria conteúdo para lançar, no mínimo, 4 livros. Aos 18 anos entendi que algumas coisas que escrevia podiam ser música. A primeira vez que compus com um beat foi para um refrão e depois as músicas começaram a vir com melodia. Acredito que eu recebo espiritualmente essas composições.

Eu sei que você tem pastas e pastas de letras, quantas músicas você já compôs?
Registradas, 40 canções.

Como você vê esse boom de mulheres no mercado da música?
Vejo que aprendemos a nos levantar como movimento e automaticamente nos valorizamos e isso faz a diferença no mercado.

Como você luta como uma garota dentro do rap e do samba?
Cantando.

O que podemos esperar da Janine Mathias nos próximos meses? Tem álbum novo?
Shows e emoções, rs. Abri caminho com a "Pérola Negra", música de Val Andrade, ganhei de uma mulher linda a honra de cantar um hino. Também acabei de fazer um show de pré-estreia do disco com Criolo, lancei a música "Bom Dia", single do disco ‘Dendê’ e agora me preparo pra lançar o clipe com participação do Rincon Sapiência, idealizado por Maria Spector, uma artista que tem um trabalho muito bonito voltado às mulheres, a Caetana Filmes. Em seguida tem o lançamento do disco que estamos há mais de um ano trabalhando, tudo feito com financiamento coletivo e apoio de fãs e amigos.



Como foi feita a seleção musical de ‘Dendê’?
Foi tudo feito a distância, eu em Curitiba, ele em São Paulo. Uma escolha intensa devido a amplitude musical que tínhamos juntos, então uma das primeiras coisas foi passar todas as composições que eu tinha pro Eduardo Brechó, muitas delas tinham uma linha melódica, mas a maioria foi enviada somente a voz. Fiz 2 viagens à São Paulo específicas pra gente afinar repertório e ver como gerar o disco, tudo junto de uma grande artista que tenho como amiga e irmã, Tássia Reis, que mal tenho palavras pra descrever o carinho por ela ter me apoiado e ter sido a pessoa que me apresentou ao Eduardo e até me cedeu a honra de ser a primeira a gravar uma composição dela. Tudo o que veio depois foi muito uma direção dele, de não ser um disco "segmentado" de RAP ou Samba, mas uma obra que demonstrasse a voz da Janine Mathias, o que ela comunica e dentro disso desenhar através das composições e as regravações que ele escolheu e é pura representação da minha história de vida. Me levou até o Renato Parmi pra conhecer o estúdio e me propôs que eles juntos fizessem a produção do disco.

Eduardo Brechó e o Renato Parmi trouxe uma junção de elementos da música eletrônica e arranjos impecáveis. Foi uma parceria fundamental e de confiança. Eu recebia o trabalho por email e, às vezes, até por whatsapp faixa a faixa. Foi lindo sentir a junção deles e arranjo dos músicos que também se deram com muita maestria, isso me marcou muito.

O nome do disco foi intuído. Acordei com uma voz que me disse: é Dendê. Passei a procurar e entender o que significava esse fruto em mim. Um momento importante foi montar a campanha do financiamento coletivo com Lucas Cabaña. Gerar um disco através do apoio das pessoas também foi uma forma cujo o qual eu só fui entender a profundidade depois. Do começo ao fim, tudo foi feito através de parcerias, o que gerou uma coletividade explícita na obra.

Deixe uma mensagem para as manas, manos e monas.
A ordem é não recuar, sejamos cúmplices do tal crime perfeito de sermos quem somos.

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Aqui tem uma playlist só com mulherões fodas e negras. Seleção especial da Janine Mathias. 

 

Ouça a playlista aqui no Spotify.

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