"Assim como a deficiência da Frida Kahlo, a nossa também precisa ser vista" por Carol Constantino

Frida Kahlo é, sem dúvida, uma das figuras mais representativas no Movimento Feminista. O que a grande maioria sabe é que ela era uma artista de renome, que fez da arte o refúgio para enfrentar sua vida sofrida após um acidente, que viveu um relacionamento aberto com seu marido (Diego Rivera) e que se destacou também por sua personalidade original. Porém, um dos motivos mais significativos que contribuíram para ela ser esta mulher incrível, é fortemente ignorado: a sua deficiência!

Não, eu não estou falando do acidente que ela sofreu quando jovem e que a deixou com sequelas. Mas, sim, da deficiência que a acompanhou desde criança e que, tudo indica, foi o motivo pelo qual ela caminhava com dificuldade. Alvo de bullying, Frida escolhia vestir calças e saias longas na tentativa de esconder que uma de suas pernas era mais fina do que a outra. Foi esta mesma perna que anos mais tarde teve que ser amputada.

Por mais que existam "mil" documentos, filmes e biografias sobre sua vida, em nenhum deles a deficiência de Frida foi, de fato, abordada como realmente deveria ser. Em todo lugar a sua deficiência foi minimizada sendo apenas um simples detalhe que serviu de inspiração para seus quadros. Para algumas pessoas pode parecer bobagem, mas para nós, mulheres com deficiência, é como se roubassem a nossa identidade.

É claro que a deficiência não define ninguém, mas digo isso porque nós não nos sentimos representadas na maioria dos espaços. Então, quando finalmente temos uma grande mulher com deficiência para nos identificar e nos trazer visibilidade, esta característica é roubada. Assim como a deficiência da querida Friducha precisa ser destacada, a nossa também precisa ser vista para que nossas especificidades sejam respeitadas.

Existem diversas mulheres com deficiência que têm muito a somar na luta feminista. Porém, não nos sentimos ouvidas e tão pouco acolhidas pelos coletivos de mulheres. Na maioria das vezes são organizadas palestras, manifestações, encontros feministas sem intérpretes de libras, os locais não possuem acessibilidade e os materiais de divulgação não têm descrição de imagem. Principalmente, estes acontecem sem um espaço para a nossa fala. Estas questões são necessárias em todos os momentos e não somente quando uma uma de nós solicita.

Encontramos a Frida em bandeiras feministas, estampa de camisetas, tatuagens, cadernos, celulares... Mas se ela ainda estivesse viva, será que ela se sentiria bem recebida no feminismo de hoje?

Para finalizar essa postagem, quero te propor um desafio! Pense e reflita qual o nome da grande mulher, brasileira e com deficiência, que é uma líder do movimento na defesa dos direitos da mulheres e que é conhecida por todas as pessoas. Será que você descobre?


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Carol Constantino é estudante de Serviço Social, blogueira e cadeirante desde pequena, pois nasceu com atrofia muscular. Em seu blog ela compartilha tudo que diz respeito aos cadeirantes e outras deficiências. Além de postar também, histórias de outros cadeirantes do Brasil inteiro. Siga no INSTAGRAM , curta sua página no FACEBOOK e acesse o BLOG.

Ilustração de Paloma Santos, estudante de licenciatura, ilustradora, cadeirante e feminista. "No meu trabalho como ilustradora tento representar a diversidade feminina". Siga ela no INSTAGRAM e curta a página no FACEBOOK. 

1 comentário

Carol Sênos

Carol, xará, também sou deficiente e sempre me sinto representada em muitos dos seus textos.Obrigada por isso. É bem difícil eu ter alguma identificação com muitas questões, pq normalmente as especificidades são suprimidas e são em parte tratadas como tabu pelas outras pessoas.Ainda mais aqui no Rio de Janeiro que é a terra de gente fina mas que o corpo sempre anda muito em evidência. MUITO IMPORTANTE SUA FALA. E MUITO OBRIGADA NOVAMENTE POR ELA.

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