‘Lute Como uma Garota’ completa 1 ano em março

Empoderar é oferecer ferramentas para que mulheres lutem contra a opressão do machismo. Empoderamento não é apenas sobre autoestima. É a transformação que nós, juntas, provocamos na sociedade. Com esse intuito nasceu a Peita, que nem se chamava Peita quando foi para as ruas de Curitiba no dia 8 de março de 2017, na Marcha Mundial das Mulheres - 8M. Parando pelas mulheres que não conseguiram parar, a designer Karina Gallon encontrou um norte para seu projeto de camisetas com frases feministas.

Karina Gallon, idealizadora da Peita, na sala de serigrafia do Segundo Andar.

“Quando trabalhava com design, sentada em frente ao computador, horas por dia, acompanhei o crescimento das manifestações feministas na internet. Foi marcante ver uma multidão de gurias marchando contra o Trump carregando cartazes com frases encorajadoras e designs simples e muito bem feitos. Encontrei sites onde era possível imprimí-los e que ensinavam como fazer lambe ou reproduzí-los em tamanhos maiores. Eram mulheres fornecendo gratuitamente materiais para que mulheres pudessem protestar”, conta Karina. Isso precisava chegar ao Brasil, sair do contexto das manifestações e também ganhar as ruas em dias comuns para que qualquer pessoa fosse impactada pela luta das mulheres. “Minha mãe fala sobre ser forte e dona da sua vida, mas não fala de feminismo. Eu quero atingir essas pessoas também”.

Marcha Mundial das Mulheres de 2016. Nascimento da Peita.

Dentro do coletivo 2º Andar no Edifício Anita, Karina encontrou apoio para colocar sua pequena revolução em prática. A designer Cris Pagnoncelli cedeu espaço para a confecção das peças, além dos proveitosos debates sobre feminismo, e o designer Eduilson Cohan, vendeu a fonte do All Type tão conhecida de 'Lute Como Uma Garota'. “Eu estava em um encontro feminista no 2º Andar e vi em uma sala as tintas e equipamentos de serigrafia. Pedi para o Doo me ensinar como manusear e no dia da marcha compramos camisetas, aplicamos a estampa em cartazes – que usamos na marcha – e tecido, secamos no corpo com secador de cabelo (estava bem em cima da hora marcada para a concentração) e fomos para a rua”, explica. Nessa mesma semana Karina recebeu mais de 30 pedidos.

Ação realizada na Marcha das Mulheres em Curitiba em 2016.

Em um menos de um ano a sala no Edifício Anita ficou pequena para a produção e operacional, Karina encontrou fornecedoras que enviam as peitas prontas para serem despachadas para todo o Brasil e vez ou outra, para fora do país. Além da frase carro chefe da marca, surgiu a “Nunca Olhe Para Baixo”, “Toque Como Uma Garota”, “Pedale Como Uma Garota”, “Seja Quem Você Quiser”, “Mulheres à Margem Resistem”, "P.U.T.A" entre outras advindas de parcerias, como a “Mulher, Solta Tua Voz” realizada com o Festival Sonora, um espaço de palestras, bate-papos e showcases de compositoras. Outra grande parceira é a banda Mulamba que carrega as frases da Peita para onde vão.

Cau de Sá e Amanda Pacífico no 2º Sarau Mulamba.

“Em breve iremos divulgar ações para o dia 8 de março, 1 ano de Peita e a partir de fevereiro serão lançados mensalmente vídeos com relatos de mulheres contando como é, para elas, lutar como uma garota. Futuramente esse material será reunido em um documentário. Já temos o primeiro pronto e preparem-se, está emocionante”. Karina faz um último pedido: “As entregas em Curitiba são realizadas por garotas de bike e, agora, motogirl”, finaliza.

Cris Pagnoncelli e Raissa Schpatoff, do coletivo Fabulosas, em ação no dia da Marcha 8M, em Curitiba.

 

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Fotos - Marcos Paulo; Rosemere Cordeiro; Luciano Meirelles.

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