MARIELE PRESENTE por Nelly Amaral

A preta pobre morre
num aborto negligência!
A gorda é induzida ao suicídio
Por um gordofóbico arrombado!
A puta é rainha no quarto,
Mas na rua é tratada como bicho!
A operária faz dupla jornada
Mas tanto no trampo
quanto em casa,
É tratada como lixo!
Se a favela dá rouba na
Farmácia ou no mercado
Pega anos e anos de cárcere privado!
Divide cela insalubre com mana em trabalho de parto!
Divide sua cama, seu pão,
divide seu colchão com ratos!
O sistema é podre, sujo e corrupto!
Quem ousa ir de encontro
é retirado de cena por crimes estúpidos!
Na política não temos vez, voz nem espaço,
E quando chegamos lá somos silenciadas com balaço!
1, 2, 3, 4 tiros tiraram a vida de uma mulher preta que lutava por igualdade!
Atiraram sem dó nem piedade!
Simplesmente porque não foi assalto, nem engano!
Aquelas balas faziam parte de um
grande plano.
E quantas Marielles e Claudias foram silenciadas na calada, na surdina?
Quantas tiveram sua infância roubada ainda menina?
A causa é legítima, quando de 10 minas, 7 já foram vítima!
Eu tô aqui é pra afrontar o sistema!
Mesmo sendo de humanas, mostrando a raiz quadrada do problema!
Somos os opostos que se atraem,
Somos a espada e o samurai,
Subestimadas, mas obstinadas, 
estamos em evidência!
Marielle Franco foi a luta
e nós somos a resistência!

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Poema declamado por Nelly Amaral, a "Diva Ganjah", duranta o 1º Slam do Alferes Poeta, como foi batizada a batalha entre poetas e poetisas da comunidade do Parolin. Nelly foi uma das três finalistas e levou de prêmio uma #putapeita "Lute Como Uma Garota". Nós pudemos proporcionar a premiação, graças a nossa parceria com a USINA de Idéias.

"Tenho minha própria visão poética do mundo, meu olhar reflete o cotidiano da mulher periférica brasileira. Minhas músicas e poesias precisam falar a alma e ao coração daqueles que às sentem." - Diva Ganjah. 

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