Movimento Xondaria Kuery Jera Rete empodera mulheres indígenas no Paraná

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Você sabia que quando os europeus invadiram as Américas, em menos de 100 anos, exterminaram cerca de 90% das nativas e nativos que viviam por aqui? Esse é um dos maiores genocídios da história e há quem comemore, quem ache que sua cultura é melhor que a de outras pessoas, que ache que precisa ‘ensinar como ser civilizado’.

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Há mais de 500 anos os povos indígenas lutam para manter sua cultura. No último fim de semana de julho, Eliane e Jéssica Gabriel de Castro começaram mais uma ação de resistência com foco nas mulheres: o primeiro encontro do Movimento Xondaria Kuery Jera Rete. “Vimos que tem muitas indígenas precisando de orientação pra defender seus direitos, ter sua opinião, sem depender dos homens”, explica Eliane, que mora em Kuaray Haxa, em Guaraqueçaba, litoral do Paraná. 

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O nome do movimento é uma homenagem a Jera Rete, a primeira cacica do Paraná. Segundo Eliane, elas estão dando continuidade ao trabalho que sua tia começou há anos. “Por uma questão espiritual, ela saiu de Palmeirinha e fundou Araçaí, em Piraquara. Jera Rete foi a primeira mulher que deu a cara pra bater, sempre incentivando as mulheres ao redor. Ela sofreu muita discriminação dos não indígenas e dos indígenas também.”

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Pela conexão de Jera Rete com Palmerinha, a aldeia foi a primeira a receber o movimento. A voluntária Adryelli Sacilotto de Camargo organizou o transporte que levou voluntárias até o município de Mangueirinha, cerca de seis horas de Curitiba. Entre os assuntos debatidos estavam a apresentação da história de Jera Rete, feminismo e violência contra a mulher, saúde reprodutiva, a importância de se reconectar com a ancestralidade e exibição do documentário “Ko Yvy Ma Ndopa Mo’Ãi – Essa terra não vai terminar”, de de Matias Dala Stela.

Jéssica, sobrinha de Jera Rete, considera o evento muito importante e confessa que ficou emocionada. “Eu me senti muito feliz de ver que o projeto deu certo. Também fiquei triste, porque queria que ela estivesse presente. Era um sonho dela”.

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Segundo Marli Delane, que mora em Palmeirinha e participou, as mulheres gostaram muito da ação do movimento, uma até se separou do marido, após perceber as inúmeras violências que sofreu durante anos e receber o acolhimento de Adryelli durante o fim de semana.

“O movimento é pras mulheres aprenderem a soltar a voz delas, serem líderes, independentes e possam criar seus filhos mesmos sem os pais. Queremos fazer um movimento pras mulheres se expressarem, para verem que são importantes e que podem ser quem elas quiserem”.

A organização já está avaliando qual será a próxima aldeia que irá receber o Movimento Xondaria Kuery Jera Rete e busca apoio para continuar empoderamento mulheres indígenas do Paraná. Lembrando que empoderamento é coletivo e horizontal. Ninguém empodera ninguém, nós nos empoderamos juntas.

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Nhanembaraete xondaria kuery.

Fotos: Bruna Kamaroski

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1 comentário

Flavia

Tem essa peita pra venda?

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