Há perguntas que não querem que a gente faça porque o ato de fazê-las já é uma ruptura. 'O que é ser libre?' é uma pergunta que o patriarcado vem respondendo há séculos e que queremos devolver às mulheres. Para que cada uma responda com o próprio corpo, o próprio tempo e o próprio sentido.
O corpo das mulheres sempre esteve na triagem do viés machista. O espaço público nunca foi lugar neutro: a rua, os negócios, o volante, tudo isso carrega uma gramática de exclusão que o patriarcado normalizou ao ponto de virar senso comum.
A cannabis, por sua vez, carrega séculos de perseguição. A criminalização da planta funcionou como ferramenta de racismo, de controle de corpos periféricos e de deslegitimação de saberes populares, especialmente os saberes de mulheres. As bruxas que a medicina moderna tentou apagar eram as mulheres guardiãs dessas plantas. O proibicionismo é um capítulo da mesma história, escrito pelos mesmos que negaram a autonomia aos nossos corpos, que marginalizaram os que menstruam, que parem e que envelhecem.
Ser libre rejeita o corpo domesticado, aquele acostumado a um espaço pequeno e vigiado. A PEITA e a Xapa Xana se encontram nesse ponto de ruptura. Duas marcas que entenderam a grandeza de libertar o corpo que se habita.




Em 2017, a Xapa Xana viralizou quando a revista VICE publicou uma matéria sobre seu lubrificante vaginal à base de cannabis. O projeto, pioneiro à época, foi além do produto: reuniu arte, pesquisa e empoderamento sexual feminino em um só movimento, incluindo um fanzine com textos e ilustrações produzidos por artistas visuais convidadas. Uma iniciativa brasileira que, diante das restrições legais para produção e comercialização de cannabis no país, migrou para o Uruguai e passou quase dez anos explorando o cuidado íntimo como linguagem política.
Agora, a marca chega a um novo momento e é nele que nasce o Projeto LIBRE. Ele questiona as limitações impostas às mulheres ao longo da vida, sobre liberdade de existir, de cultivar, de ir e vir pelo mundo. No centro do projeto está a transformação de Roxana, uma Toyota Bandeirante 1985, que será restaurada com fibra de cânhamo e percorrerá alguns territórios do Brasil até Ushuaia, colhendo histórias e registrando encontros entre artistas, ativistas e mulheridades em movimento.
A PEITA se soma à expedição com o que sabe fazer de melhor: um grito estampado no peito. "O que é ser libre?" é a pergunta que vai circular por cada parada, cada encontro, cada criação ao longo do caminho.




E libre não está escrito errado, é um atravessamento de linguagem intencional. Entre o 'livre' que nos ensinaram e o 'libre' herdado da latinidade, existe um deslocamento e é por ele que a gente vai seguir. LIBRE é uma fissura entre culturas e a memória de um continente de mulheridades colonizadas que ajudarão a moldar essa definição de liberdade.
A estrada vai ser longa. A resposta, maior ainda.
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