PUTAPEITA Manifesto

Empoderar é oferecer ferramentas para que mulheres lutem contra a opressão do machismo. Empoderamento não é apenas sobre autoestima. É a transformação que nós, juntas, provocamos na sociedade. A gente nem precisa dizer que o mundo tá virado. É cada tabefe que a vida dá, que fica difícil fingir que, vezenquando, não bate aquela vontade de fugir. Com esse intuito nasceu a Peita, que nem se chamava Peita quando foi para as ruas de Curitiba no dia 8 de março de 2017, na Marcha Mundial das Mulheres. Parando pelas mulheres que não conseguiram parar, a designer Karina Gallon encontrou um norte para seu projeto de camisetas com frases feministas.
“Quando trabalhava com design, sentada em frente ao computador, horas por dia, acompanhei o crescimento das manifestações feministas na internet. Foi marcante ver uma multidão de gurias marchando contra o Trump carregando cartazes com frases encorajadoras e designs simples e muito bem feitos. Encontrei sites onde era possível imprimí-los e que ensinavam como fazer lambe ou reproduzí-los em tamanhos maiores. Eram mulheres fornecendo gratuitamente materiais para que mulheres pudessem protestar”, conta Karina. Isso precisava chegar ao Brasil, sair do contexto das manifestações e também ganhar as ruas em dias comuns para que qualquer pessoa fosse impactada pela luta das mulheres. “Minha mãe fala sobre ser forte e dona da sua vida, mas não fala de feminismo. Eu quero atingir essas pessoas também”.
Dentro do estúdio Segundo Andar no Edifício Anita, Karina encontrou apoio para colocar sua pequena revolução em prática. A designer Cris Pagnoncelli cedeu espaço para a confecção das peças, além dos proveitosos debates sobre feminismo, e o designer Eduilson Coan, vendeu a fonte do All Type tão conhecida de 'Lute Como Uma Garota'. “Eu estava em um encontro feminista no 2º Andar e vi em uma sala as tintas e equipamentos de serigrafia. Pedi para o Doo me ensinar como manusear e no dia da marcha compramos camisetas, aplicamos a estampa em cartazes – que usamos na marcha – e tecido, secamos no corpo com secador de cabelo (estava bem em cima da hora marcada para a concentração) e fomos para a rua”, explica. Nessa mesma semana Karina recebeu mais de 30 pedidos.
Em um menos de um ano a sala no Edifício Anita ficou pequena para a produção e operacional, Karina encontrou fornecedoras que enviam as peitas prontas para serem despachadas para todo o Brasil e vez ou outra, para fora do país. Além da frase carro chefe da marca, surgiu a “Nunco Olhe Para Baixo”, “Toque Como Uma Garota”, “Pedale Como Uma Garota”, “Seja Quem Você Quiser”, “Mulheres à Margem Resistem” entre outras advindas de parcerias, como a “Mulher, Solta Tua Voz” realizada com o Festival Sonora, um espaço de palestras, bate-papos e showcases de compositoras. Outra grande parceira é a banda Mulamba que carrega as frases da Peita para onde vão.
A ideia é cocriar peças que carregam uma causa, uma luta ou um estado de espírito. As frases são as divas do rolê e usar uma peita, é vestir opiniões e levá-las pra rua, pra além da timeline. É provocar desconfortos, gerar discussões relevantes pra gente, pra nossa bolha e, principalmente, pra fora dela. É peitar a realidade pra fazer a mensagem chegar do outro lado da força. Agora que você entendeu porque estamos aqui, vamos fazer um convite: bota sua PEITA e vem com a gente fazer esse mundão girar no sentido certo. Pro lado que todo mundo se aceita, se entende e se respeita. Quem sabe, assim, a gente não precise mais fugir pra lugar nenhum. E pode ficar aqui, evoluindo num processo de desconstrução contínuo do machismo e do certo e errado.